O marketing virou teatro caro. E quem paga o ingresso é a empresa.
Quem trabalha em marketing sabe qual parte do plano é teatro. Quem aprova o plano, não. E o ingresso continua sendo pago.
Todo mês, alguém publica um relatório mostrando que o custo de aquisição subiu de novo. CPM, CPC, CAC. Tudo sobe. E o relatório sempre termina com a mesma pergunta educada: como otimizar? Não dá para otimizar. O modelo quebrou.
Marketing tradicional foi construído sobre uma premissa que já não vale. A de que atenção era escassa e distribuição era cara. Hoje, atenção continua escassa, mas a distribuição virou de graça e caiu no colo de outra pessoa.
A distribuição não foi embora, ela foi para o criador.
Por três décadas, quem controlava a distribuição controlava o marketing. Emissora, jornal, portal, plataforma. Marca pagava porque não tinha como falar com a audiência sem passar pela ponte de alguém.
A ponte ruiu. As mesmas pessoas que assistiam TV agora seguem 400 contas. Nenhuma delas é sua marca. Elas são de criadores. Pessoas que construíram audiência real, no ritmo delas, na linguagem delas, sem CPM.
Você não perdeu para outro anunciante. Perdeu para o feed.
Criador não é canal. É a peça de distribuição.
Aqui está o erro que a estrutura corporativa ainda impõe ao marketing: tratar criador como mídia. "Vamos rodar uma campanha com influenciador." "Vamos ativar dez creators no lançamento." Vocabulário de compra de mídia forçado num jogo que já não é de mídia.
Criador não é onde você anuncia. É como o seu produto chega ao mercado. Isso muda o briefing, a mensuração, o contrato, o pagamento. Muda inclusive quem senta na mesa da decisão porque criador com audiência que converte não é fornecedor. É parceiro comercial.
Do CPM ao CPA: o marketing volta a ser performance.
No modelo antigo, marca paga pra postar. O KPI é impressão, alcance, view. Se converteu ou não, outro time descobre depois. E o criador, do outro lado, cobra o mesmo, tenha entregue muito ou pouco. Se viralizou, foi sorte da marca. Se não, o dinheiro já saiu.
No modelo novo, os dois lados saem do palpite. Marca paga pelo resultado se o criador entrega dez vezes mais que a média, recebe dez vezes mais. E o criador para de ser refém do post semanal sem saber se aquilo virou algo pra alguém. Passa a ser pago pelo que a audiência dele efetivamente faz.
Esse é o bom senso comercial. O mesmo que sempre existiu em comissão de vendas, em afiliados, em partnerships. A diferença é que agora existe como operar em escala, entre marca e criador que nem sabiam que já compartilhavam público.
O que vem agora?
A pergunta não é mais se o criador de conteúdo vai virar o centro do marketing. Ele já virou. A pergunta é quanto tempo cada lado vai levar para se reorganizar em torno disso.
Marca reorganiza orçamento, mensuração e time. Criador reorganiza precificação, que marcas aceita e o que topa chamar de "campanha". Movimento igual dos dois lados. E os dois podem chegar cedo ou tarde.
Quem chega cedo não ganha porque é ousado. Ganha porque para de gastar caro com o que não entrega. A marca, na mídia; o criador, no próprio tempo. Isso não é o futuro do marketing. É o marketing agora!
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